Canto Poético


Poesia da Vida

Dança no céu acinzentado as lágrimas que desperdicei.

Flutuantes, rimam desilusões, arpejos de melancolia.

Escorre ardentemente o sangue que derramei.

Foram-se aqueles dias de alegria.



Atroz força que me carregava, e aborrecia!

Surgem distantes silhuetas que desenhei.

Navega à toa por um mar de agonia.

Mar poderoso engole os sonhos que almejei.



Ritornelo de uma alma apodrecida

Sombra faminta que me devora e definha

Eu estaria imersa nessa situação mesquinha

Se não soubesse que é na morte que se encontra a poesia da vida.




O Velho Viajante

 
Nos sonhos perdidos da imensidão das águas
Veleja o viajante entristecido
As ondas balançando-lhe os velhos e brancos cabelos.

Se o sol se dispuser no horizonte vermelho
Ele saberá que finalmente está próximo.
Das terras sagradas que lhes foi prometida.

Navegue pelos caminhos das lágrimas
Percorra os mares sangrentos.
Deixe percorrer-lhe as veias
A vontade de ser como antes...
O Velho viajante.

As marcas encravadas em sua pele
Revelam o quanto ele sofreu
Ele deixou todos para trás,
E de sua terra ele esqueceu.

Cantam sereias bem distantes
Embalando seu corpo no luar
Viajam juntos e sozinhos
Pela noite afora a cantar.

Seus olhos não são mais os mesmo
Da terra que tudo um dia comeu
Hoje dela está longe, navegando...
O Velho Viajante.












  
Caos

Vejo corpos adormecidos sobre sangue coagulando
Almas apodrecidas sob faces de espanto
Quantas vidas a mais nós estaremos retirando?
Quantos sonhos a mais nós estaremos matando?

Perca sua inocência nos olhos da luxúria
Pregue símbolos em corações inabitáveis
Morra por um ideal, morra por um ideal!
(Eu participei dessa matança)
(Eu corrompi minha esperança)

Tantos seres escondidos na escuridão
Silhuetas disformes, sem coração
Divindades sanguinárias, divindades sanguinárias

Eu formei o caos sem remorso nem piedade.
Do inferno fiz minha base, dos céus eu fiz maldade.
Eu sei que quando o mundo desabar
Não haverá uma escapatória (somos todos culpados)

Ontem eu ouvi o choro de uma criança
Abafado pelos sons de um bombardeio.
Tantos gritos se misturando a explosões
Não dava para distinguir o que era medo de coragem!